Viva o músico. Da criação à convergência; um ser pra lá de humano.

Estava satisfeito com o ano de 2017 até o último dia 14 de novembro. Apesar de todas as erros e atrocidades na esfera política, econômica, moral, social, cultural e na maioria das coisas que lemos, ouvimos e vimos em Brasília, Brasil e Mundo.

Minha satisfação, cronologicamente falando, estava associada ao cumprimento do que havia me programado para 2017, além daqueles inesperados, que sem saber como e nem porque, vão  aparecendo, cabendo a mim e aos que estão ao meu lado, perceber, conhecer, refletir, experimentar, decidir e seguir adiante: com ou sem, muito ou pouco, e sempre pra frente. Aliás, seriam estes, os verbos da rotina dos músicos? Em minha opinião sim.

Faltando algumas horas para receber uma moção de louvor em homenagem ao Dia dos Músicos concedida pela Câmara Legislativa do Distrito Federal; e mesmo estando há 30 dias do término das inscrições do Prêmio Profissionais da Música 2018, a 5 dias do reprise do projeto All That Jazz no Figueira da Villa com o duo Blues de Bolso, a 1 semana da estréia da 4ª edição do projeto Pier Acústico, do projeto Viva o Novo e Ladies Night na Vila Planalto; dos 40 dias para o meu 6º Reveillon no Bar Brahma, do lançamento de toda a obra do percussionista Carlos Pial em todas as plataformas digitais e da minha ida para palestrar no SIM [SP] e no M.A.T.E [RS], eis que surge o inesperado, aquele que é a melhor coisa música. Fui convidado, por indicação do nobre Cacá Silva da ASMAP, para receber uma homenagem pela minha contribuição para a expansão e o desenvolvimento daquilo que me dedico há 32 anos: A música.

Essa breve história, começa pelas baquetas, que entraram minha vida em 1976, durante os ensaios de uma torcida do América do Lido da rua Belfort Roxo de Copacabana [ RJ]. Em 1977, elas fariam mais parte ainda, por conta das aulas de música no colégio Princesa Isabel em Botafogo, até chegar aos palcos de Brasília em 1985.

Fica muito claro para mim, a importância da liberdade para se perceber e conhecer, seja na rua, na escola até os palcos da vida. Ainda que estivéssemos vivendo os nefastos tempos da ditadura, que sinceramente, Deus não permita que retorne ao nosso dia-a-dia, pude observar, experimentar e refletir para me decidir.

Pergunto: em Brasília estamos com a nossa liberdade para conhecer ou experimentar como em outros tempos encantadores?  Nossas escolas estão conectadas com música e cultura? E nossos palcos, públicos ou privados, estão em condições de qualidade e quantidade de expor, exibir e comercializar, essa nobre matéria prima, seus criadores e produtores, respeitando público e fornecedores?

Por mais incrível que pareça, foi justamente pela ausência de respostas concretas sobre estas perguntas que decidi me envolver com aquilo que considero uma das manifestações mais preciosas para a humanidade.

De 1985 para cá, as ausências, os riscos e as angústias em contraponto com a descoberta, ações e realizações, ganharam sentido. Sentido do verbo sentir mesmo. Me desculpe o filósofo francês, mas para mim, só penso e logo existo, porque sinto, e foi sentindo, pensando e fazendo que cheguei até o poeta cubano José Martí e a uma de suas frases brilhantes que viraram o lema da minha companhia musical: a GRV Media & Entretenimento, que atua em Brasília desde abril de 2000.

Disse Martí: “A melhor maneira de dizer, é fazer”. E foi com base em um simples verso de um poeta, que a complexidade de atividades adentrou, pelos últimos 18 anos, a nossa pequena empresa, que desconhece dívidas, atrasos em pagamentos, além de só ter sido convocada para se defender e vencer duas ridículas causas na Justiça. Alicerçados, planejados e sempre acreditando no poder do colaborativismo e do associativismo, ou seja, no coletivo, na banda ou na gig se preferirem, viemos trabalhando com música, como no início, de 2000 à 2002, ao apenas agenciar artistas e produzir eventos privados, até expandirmos para o modelo 360º. Dessa forma, e ao compreender tudo que estava à nossa volta, seja maximizando relacionamentos e oportunidades, concluímos que a Acessibilidade gera Mobilidade. Juntas, são as responsáveis pela Sustentabilidade, e a partir desse tripé, podemos alcançar Rentabilidade, Tranquilidade e Felicidade. E os nossos números, que não são apenas números, nos comprovam isso, afinal, nos últimos 18 anos fomos responsáveis por:

I enquanto selo fonográfico, pela produção e lançamento de 51 cds e 6 dvds;

II enquanto editora, pela edição e administração de quase mil obras;

III enquanto distribuidora digital, pela legalização e monetização de quase 4 mil fonogramas de aproximados 158 artistas e suas obras de arte;

IV enquanto gestores de casas noturnas, onde atuamos desde 1997, ou seja, 20 anos à frente de programações artísticas das principais casas noturnas de Brasília, gerando trabalho e renda, diariamente, para 50 artistas entre o bar Brahma 201 Sul, Restaurante Figueira da Villa na Vila Planalto e no projeto Pier Acústico do Shopping Pier 21;

V enquanto fomentadores de novas cenas, artistas e carreiras, já contabilizamos três edições do Festival Caça Bandas, uma do Festival Universitário de Música e outra do Festival Rolla Pedra;

VI para finalizar, o que fazemos de maior complexidade são os empreendimentos que apostam no intercâmbio e na geração de negócios. De 2005 à 2007, a minha maior realização até então atendia pelo sigla FMI [ Feira da Música Independente Internacional de Brasília]. Ela ressurgiu repaginada, no formato de Prêmio, dez anos depois, e que após três edições e sem nenhum centavo de patrocínio até aqui, se prepara para sua 4ª edição.

No PPM 2018 homenagearemos o ícone da bossa nova Roberto Menescal pelos seus 80 anos, premiaremos 60 categorias de profissionais da música, além de realizar nossa trade fair, e a série de workshops, talkshows, painéis, network e a exibição de documentários musicais.

E o melhor: faremos a próxima edição do PPM, de 16 à 21 de abril, como forma também de homenagear o aniversário da capital do Brasil, desde que seja ” com todos, de todos e para todos”.

Da criação à convergência, viva o novo, a música e os músicos desse país.

Musicalmente, Gustavo Vasconcellos

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