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Prêmio Profissionais da Música anuncia os homenageados da edição 2019

 

Com imenso orgulho e no intuito de fortalecer a riqueza maior do Prêmio Profissionais da Música, dando mais visibilidade para criadores, produtores e responsáveis pela circulação ou convergência, prazerosamente, anunciamos os homenageados da edição 2019. Em harmonia com os pilares e com as 67 categorias desta edição, que juntas, envolvem 492 finalistas (selecionados a partir de mais de 1500 inscrições de todo o país que se submeteram às três etapas de votação ao longo do 1º semestre de 2019), convidamos todos a aplaudir o Autor Ronaldo Bastos, o Produtor Genildo Fonseca e o Maestro Claudio Santoro (in memoriam) pela contribuição de suas obras, músicas e realizações ao mundo da música. Graças à eles, podemos afirmar o nosso slogan “ Do clássico ao popular, 100 anos de música brasileira”.

Nossa breve história já relembrou grandes talentos. Na 1ª edição (2015) homenageamos a memória do poeta e artista Renato Russo e do empreendedor cultural e também poeta Jorge Ferreira. Na 2ª (2016), o homenageado foi o autor e compositor mineiro Fernando Brant. Em 2017, celebramos os 15 anos da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), tendo como símbolos três de seus ilustres fundadores, a saber: o músico e maestro Benjamim Taubkin, o produtor Pena Schmidt e o autor e publicitário Thomas Roth. Em 2018, o homenageado foi o ícone da bossa nova,  o músico, autor e produtor Roberto Menescal.

Quem é quem?

Curtam e compartilhem uma breve biografia de cada um deles abaixo e preparem-se para fortes emoções de 1º a 3 de novembro de 2019, em Brasília, na 5ª edição do Prêmio Profissionais da Música.

Ronaldo Bastos | Criação

Um dos maiores compositores da história brasileira, Ronaldo Bastos tem um portfólio tão grande quanto a variedade de poesias e melodias que colore a musicalidade brasileira e é, sem dúvida, um dos mais criativos e inovadores letristas que nela já trabalharam.

Nascido em Niterói, em 21 de janeiro de 1948, Ronaldo Bastos é, desde menino, um poeta nato. Ainda em seus anos como estudante do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, escrevia e compunha marchinhas de carnaval com seus amigos, sonhando em um dia trabalhar com música. Conheceu Milton Nascimento na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, onde cursava história, e com ele escreveu a primeira música de sua carreira artística: “Três Pontas”. Nascia, ali, uma frutífera e duradoura parceria, rendendo obras clássicas tais como “Cravo e Canela” e “Fé Cega, Faca Amolada”.

Daí em diante, produziu quase que ininterruptamente, para e com os mais diversos artistas da cena brasileira. Fez parte da geração mimeógrafo, integrando, junto com Chacal, Charles Peixoto e Bernardo Vilhena, o grupo de poesia marginal “Nuvem Cigana”; trabalhando também na mesma época com Cafi, como capista de discos de Nana Caymmi, Milton e Nascimento e Sueli Costa.

Ademais, contribuiu como letrista, capista e organizador das composições do movimento Clube da Esquina, juntamente com Milton Nascimento, Marilton, Márcio e Lô Borges, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Beto Guedes e muitos outros, assinando músicas tais quais “Nada Será Como Antes” e “Cais”.

Aventurou-se incessantemente por diversificados gêneros musicais através dos anos, mas jamais perdeu o estilo característico de suas letras. Compôs, durante a década de 1980, diversas canções em parceria com o cantor Lulu Santos, como  “Um Certo Alguém”, além das baladas pop “A Força do Amor” e “Seguindo no Trem Azul”, compostas com Cleberson Horsth e notoriamente cantadas pelo grupo Roupa Nova. Ainda em 1989, lançou o vinil “Cais”, que incluiu muitos de seus sucessos anteriores e colaborações com importantíssimos artistas: Lô Borges, Beto Guedes e outros grandes nomes do Clube da Esquina.

Foi um importante produtor musical, exercendo tal função em discos de Milton Nascimento, Nana Caymmi, Lô Borges, entre outros; e criando, em 1994, o selo Dubas Música, pelo qual foram lançados álbuns de Flávio Venturini, Toninho Horta, Jussara Silveira, Família Roitman, Arranco e vários outros.

Na década de 1990, firmou uma parceria com Celso Fonseca, lançando com ele os discos “Sorte” (1994), “Paradiso” (1997) e “Juventude / Slow Motion Bossa Nova” (2002), pelo qual foi indicado ao Grammy Latino. Lançou com Celso, ainda, o disco “Polaróides” (2007).

É, também, um exímio versionista, transcrevendo as músicas “Lately” (de Stevie Wonder) e “Till There Was You” (de Paul McCartney e John Lennon) para o português, e sua composição “Nada Será Como Antes” para o inglês (essa transcrição sendo cantada ostensivamente por Sarah Vaughan).

De Elis Regina a Paralamas do Sucesso, passando por Chico Buarque, Gal Costa, Ed Motta e Alceu Valença, foram muitos os lendários artistas que interpretaram suas obras.

Não poderia ser de outro jeito. Ronaldo Bastos é, sem dúvida, um nome importantíssimo para a história da música mundial.

Genildo Fonseca | Produção

Não houve um momento sequer da vida de Genildo Fonseca em que ele não estivesse interessado pelo mundo das artes. No mercado desde a década de 1960, o empresário (que não só administra, atualmente, a carreira de um dos mais importantes artistas da história da MPB, Toquinho, como também é diretor da produtora, editora e selo “Circuito Musical”) já fazia, aos 13 anos, locução em programas de calouros, e, aos 16, geria a carreira de Marinho Marcos, um dos grandes nomes da “miniguarda”.

Ainda nesse período conheceu Antônio Marcos, irmão mais velho de Marinho, um aspirante a cantor na época, com quem Genildo morou, com mais três amigos em um pequeno apartamento na Baixada do Xangai. Passou, também, a realizar a gerência de Antônio a partir do momento em que o grupo do qual o mesmo fazia parte, “Os Iguais”, se desfez em 1969. Com isso, abriu seu primeiro escritório, a 907 Promoções Artísticas, empreitada que o levou a gerir, também, a carreira de Taiguara e diversos outros artistas iniciantes.

Desde então, tem cultivado, ao longo de mais de 50 anos de carreira, um currículo extremamente invejável: trabalhou com empresas tais como a Amar Empreendimentos, a Continental Discos, a Agência Latino Americana, a Gravadora BMG, a 3M Gravadora, Sociedade Hípica Paulista e a Anhembi Turismo, assim como em diversas outras, além de com numerosíssimos artistas. Foi, também, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), e, junto à organização, lutou pelos direitos dos músicos do país.

Genildo Fonseca nunca perdeu o foco na área musical, trabalhando com extrema competência e aprimoramento constante para criar e manter o melhor cenário musical brasileiro possível.

Um produtor excelente, altamente dedicado, e com um real amor pela música.

Cláudio Santoro “in memorian” | Convergência

Não é à toa que tantas instituições musicais levam o nome do admirável Maestro Cláudio Santoro, e nem que o mesmo seja considerado um dos mais importantes representantes da música erudita brasileira.

Natural de Manaus (AM), Cláudio Franco de Sá Santoro nasceu em 23 de novembro de 1919. Passou a estudar o violino aos 11 anos, incentivado pelo tio, e aos 14 conseguiu, por meio de uma bolsa de estudos do governo amazonense, ingressou no então Conservatório de Música do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Confirmando seu status de prodígio, Cláudio Santoro se tornou, somente três anos depois, professor de Violino e Harmonia da Instituição.

Participou, como primeiro-violino, da fundação da Orquestra Sinfônica Brasileira, em 1940, começando a estudar e trabalhar ainda no mesmo ano com o compositor e professor Hans-Joachim Koellreuter, figura consideravelmente importante para o desenvolvimento estético e composicional do jovem Cláudio Santoro, e que o introduz, também, ao Grupo Música Viva.

Concluiu sua primeira sinfonia (aptamente chamada de Sinfonia Nº 1) apenas um ano depois, demonstrando um viés consideravelmente dodecafônico, algo que o maestro progressivamente deixaria de lado em suas obras subsequentes. Após ser amplamente premiado no Brasil, passa a estudar, a partir do ano de 1946, no Conservatório de Paris, onde mesmo começa a apresentar uma tendência nacionalista.

Ao voltar ao Brasil, em 1949, passou a compor, abundantemente, para rádio e cinema, para filmes como Agulha no Palheiro e O Saci. Retorna à Europa ainda no início dos anos de 1950, passando a atuar como regente por longos períodos, até voltar, mais uma vez, ao Brasil, no ano de 1962, para se tornar Coordenador do Departamento de Música da ainda jovem Universidade de Brasília (UNB).

Pouco tempo depois, porém, foi morar e estudar na Alemanha. Lá, teve um de seus períodos mais prolíficos: com um desenvolvimento estético respeitável, passou a desfrutar de uma extrema experimentação com sua música, ganhando a condecoração Bundesverdienstkreuz (Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha). Se tornou, também, o diretor do Departamento de Músicos de Orquestra da Escola Estatal Superior de Música Heidelberg Mannheim, onde também foi professor de composição.

Após longos anos, retornou ao Brasil, em 1978, já com intenso renome internacional, e assumiu a direção do Departamento de Artes da Universidade de Brasília e, dois anos depois, fundou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Passou seus últimos anos, de 1980 a 1989, produzindo assiduamente e dando continuidade a projetos anteriores. Faleceu em 27 de março de 1989, durante a regência de um ensaio geral de um concerto, fazendo o que amava até literalmente o último momento de sua vida.

Cláudio Santoro foi e ainda é considerado um artista singular, único, e suas mais de 600 composições completas permeiam os mais diversos modelos e estruturas musicais possíveis. Sua obra para piano é, até hoje, tida como uma das mais ricas já transcritas para o instrumento; e exprime, assim como sua ópera, sinfonias, e outras obras, uma versatilidade sem igual.

Eternamente relevante, Cláudio Santoro!

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